sábado, 16 de julho de 2016

20 ANOS DO ÁLBUM ROOTS DO SEPULTURA

Deixa eu contar uma história pra vocês...
Certo dia, minha irmã comprou uma revista Bizz e nela veio uma matéria sobre o Sepultura. 

Era a primeira vez que tinha contato com a banda, e naquelas páginas fico sabendo um pouco da vida desse grupo mineiro que naquele momento estava às vésperas do lançamento do seu terceiro álbum, Schizophrenia. 
Schizophrenia [1987]

A segunda vez que me deparei com a banda foi novamente através de outra edição da Bizz de 1990, e com uma matéria mais extensa me maravilhei com os feitos que a banda estava fazendo em territórios além mar, seus shows memoráveis com o Napalm Death e Nuclear Assault aqui no Brasil, e ri da treta que eles tiveram com o Sodom. Resumindo, estava começando a conhecer o poder do maior representante do metal brasileiro. 
Revista Bizz - Edição 61 - Agosto 1990

Nessa época, o clipe da música Inner Self surgia no extinto programa Clip Trip - antigo Realce Baby - e no outro dia, lá estava eu adquirindo o Beneath The Remais, meu primeiro disco de vinil comprado na vida. Impressionado com toda essa usina criativa, me apaixonei ao primeiro acorde e decorei as letras, os licks e os solos memoráveis chegando a seguinte conclusão: Sepultura é foda! 
Em 1991 a banda lança o que considero um dos maiores discos de thrash de todos os tempos, Arise.
Se Beneath The Remains já era espetacular, Arise então, nem se fala. Ele simplesmente me inspirou a ser vocalista. Porém não era só o Max que me inspirava mas a junção dos membros da banda era tão especial que fez a música do Sepultura influência para toda a minha vida.
Beneath The Remains [1989] - Arise [1991]

Mas junto a isso havia minha parcela radical que não aceitava nada que fosse menos pesado que o Sepultura, e um fato que aconteceu comigo elucida muito bem isso.
Um amigo meu, fã de hard rock e heavy metal, veio trocar uma ideia e começamos a falar de bandas e ele me solta essa:
- Você devia parar de ouvir um pouco esse Sepultura. Já ouviu W.A.S.P. mano? É animal!
E categoricamente arremato:
- W.A.S.P. é um lixo!
Falei meio que na zoeira, mas era uma época que além do Sepultura estava ouvindo Death, Morbid Angel, Sacred Reich entre outras bandas bem pesadas.
Mas o meu radicalismo era tão evidente que quando o Sepultura anunciou a participação de Jello Biafra do Dead Kennedys em seu disco Chaos A.D., eu torci o nariz e não queria mais saber da banda. Me senti traído. E quando o disco foi lançado, nem quis saber suas músicas, letras, nada!
Para o Vitor Radical, a pá de cal foi em 1996 quando a banda anuncia a participação de Carlinhos Brown no álbum Roots. Não entendi nada e naquele momento Sepultura tinha morrido para mim.
Mas nada melhor que o tempo, e com ele fui aprendendo aos poucos a compreender o universo que cerca a música.
Chaos A.D. [1993] - Roots [1996]

Hoje, comemoramos 20 anos do álbum Roots, e entre tantas qualidades esse disco criou um estilo, o Nu Metal. E independente de ser ruim ou não, pra muito moleque a porta de entrada para sons mais pesados foi através desse álbum, assim como foi com Smells Like a Teen Spirit do Nirvana, e assim vai. 
O Roots também serve como pedra angular do que viria a ser o metal nativo brasileiro (dou uma pincelada no tema AQUI). 
O disco é o primeiro registro metal de um tema que existe antes mesmo da chegada do homem branco a essas terras, e ainda versa sobre a raça negra que foi - e continua sendo - maltratada em nosso país. 
Roots é um manifesto sócio-cultural traduzido em música, letra e som, e hoje entendo o porquê dos índios Xavantes, do Carlinhos Brown, das partes percussivas. 
Ainda continuo sendo fã da trinca de aço: Schizophrenia, Beneath The Remains e Arise, mas não nego a importância que o álbum Roots ainda tem no cenário do metal mundial.