quinta-feira, 3 de setembro de 2015

AS ÚLTIMAS CONSULTAS DO DR. SIN

Dr. Sin é uma banda com um legado incrível.
Músicos de um talento ímpar que fizeram álbuns irrepreensíveis ao longo desses anos, mas que infelizmente se despedem dos palcos. 
Ainda tinham muita lenha pra queimar, porém quais as razões para tomarem tal decisão?
Bom, analisando o mundo em que vivemos hoje percebo o quanto mudou a forma de se ouvir música. Se antigamente era um verdadeiro ritual - ir à loja de discos, comprar, chegar em casa, colocá-lo para ouvir enquanto lê a ficha técnica, observar atentamente a capa, e até mesmo cheirar o encarte - hoje não passa de algo descartável. É como se fosse um ob sonoro onde faz-se o download de uma música, ouve, e descarta logo em seguida para uma próxima faixa de um outro músico que você nem sabe o nome dele, sequer o título de seu disco.

E aí entramos num verdadeiro impasse. Vivenciar essa nova realidade ou tentar adaptar o nosso ritual aos dias de hoje?
Vejam bem, antigamente a Galeria do Rock era tomada por lojas de CDs e vinil, e hoje podemos ver alguns abnegados tentando ainda sobreviver sob esse domínio dos downloads. Conheço gente que não compra CDs há mais de 6 anos. Carros já são fabricados com saídas USB permitindo a você plugar seu pendrive com músicas baixadas de graça em formato mp3, e que muitas vezes ficam muito abaixo da gravação original. 
Se por um lado a internet é uma ferramenta poderosa na divulgação de sua arte, e até mesmo na liberdade de você fazer o seu próprio disco sem a tirania das gravadoras, por um outro lado criou-se uma forma preguiçosa de adquirir música. E tudo que é fácil e rápido na maioria das vezes é uma porcaria.

É inaceitável para um artista, que cria uma obra e ensaia muitas vezes para gravar em um estúdio de ponta, e passa horas e horas com o produtor mixando e masterizando até chegar no produto final, ver a sua criação sucumbir diante das condições impostas por essa nova realidade. 
A discussão ainda está longe de acabar, mas é bom a gente pensar em soluções para que o futuro não seja profundamente desanimador.
E eu ainda continuo batendo nessa tecla. Apoie a cena! Independente das condições. Vá aos shows, compre material, escreva algo, curta e compartilhe. Espalhe. Dissemine. Catequize essa geração. 
Mostre que a vida não se resume apenas a ficar sentado na frente de uma tela falando mal dos outros.

Desejo muito sucesso aos novos projetos dos meus irmãos Ivan Busic, Andria Busic e Edu Ardanuy!

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