sexta-feira, 17 de julho de 2015

METAL NATIVO BRASILEIRO

Desde que o grande Sepultura lançou o multi-platinado Roots, e o Angra com o Holy Land, ambos no ano de 1996, estamos passando por uma fase no mínimo peculiar.
Estamos mais voltados à rica cultura brasileira com grandes bandas lançando discos muito bons, e o que tem mais em comum entre elas é que todas versam sobre a cultura indígena. Algumas com uma ou duas faixas, e outras em todo o CD.
Em 2002, a banda Glory Opera surgiu com o álbum Rising Moangá narrando a saga de um índio guerreiro que se apaixona por Iara. A banda usou elementos da cultura amazônica tanto na melodia, quanto nas letras obtendo um resultado esplêndido.
Porém, nos últimos anos, parece que houve uma verdadeira invasão histórico-nativa no metal.
Glory Opera

Em 2013, a banda Armahda lança seu primeiro álbum auto-intitulado trazendo à tona temas como Duque de Caxias, Guerra dos Canudos, a Revolução Armada entre outros, mesclando com um instrumental primoroso e pesado. São 13 faixas em seu álbum debut onde o ouvinte aprenderá muito sobre História, mas de uma maneira muito prazerosa e com embasamento.
Armahda

Nesse mesmo ano, a banda Cangaço, oriunda da cidade de Recife (PE), lança seu primeiro álbum, intitulado Rastros. O grupo faz um resgate da história do espírito dos antigos guerreiros do sol que faziam parte da vida no nordeste brasileiro há muitos anos atrás, mostrando uma música verdadeira, sincera e densa, misturando elementos do metal, e de outros estilos como o baião, forró, maracatu.
Cangaço

Em 2014, o Voodoopriest lança o álbum Mandu que conta a história de Mandu Ladino, um índio guerreiro que vê sua aldeia ser massacrada pelos bandeirantes gananciosos. Sobrevivente desse genocídio e ensinado pelos padres jesuítas, Mandu começa a conhecer como o homem branco pensa, e vendo sua descendência ameaçada por constantes invasões e aumento considerável do gado na região, o guerreiro toma uma alternativa. A estratégia dele era fazer aliados, e com isso aumentar o número de guerreiros para enfrentar de igual pra igual com o branco invasor. E por pouco quase consegue. Mesmo possuindo uma milícia indígena de quase 5000 guerreiros de várias etnias lutando ao seu lado, Mandu foi traído pelos Ibiapavas e morto a tiros quando tentava fugir, vindo a se afogar nas águas Iguaraçu.
Voodoopriest

A banda Arandu Arakuaa, de Brasília, lança em 2012, um EP homônimo onde as faixas são cantadas em tupi-guarani. Acredito que, com esse registro, o Arandu se torna a primeira banda de folk metal genuinamente nativa. Em 2015, a banda lança seu segundo álbum Wde Nnãkrda, onde mistura heavy metal, música indígena e regional, e letras cantadas em três línguas nativas mostrando a diversidade étnica do Brasil, e servindo para que as pessoas possam conhecer mais ainda a cultura dos povos indígenas.
Arandu Arakuaa

Mais outras bandas estão seguindo por esse mesmo caminho com trabalhos baseados no tema indígena, são elas: Aclla (SP) com o álbum Pindorama, e Scud (PI) com Tremembés. E fico aqui imaginando um super festival com todas essas bandas, e tendo como headliners Sepultura, Andre Matos ou Angra comemorando os 20 anos de seus respectivos álbuns. Seria sensacional!

Aclla

Scud

Acredito que nesse país, ainda há muitas outras bandas falando sobre a nossa cultura. A mistura de raças fez do Brasil um lugar culturalmente rico, e que ainda pode ser explorado e mostrado ao público. Awerê!!!

SEPULTURA - Roots (1996)
ANGRA - Holy Land (1996)
GLORY OPERA - Rising Moangá (2002)
ARMAHDA - Armahda (2013)
CANGAÇO – Rastros (2013)
VOODOOPRIEST - Mandu (2014)
ARANDU ARAKUAA - Wdê Nnãkrda (2015)
ACLLA - Pindorama (previsto para final do ano)
SCUD - Tremembés (previsto para final do ano)

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