quarta-feira, 29 de abril de 2015

IMPRESSÕES SOBRE O FESTIVAL MONSTERS OF ROCK 2015

Em primeiro lugar gostaria de dizer que o texto que vocês irão ler abaixo, é nada mais nada menos que a minha opinião acerca do shows no festival Monsters of Rock 2015. Como fã do estilo Metal não tem o que discutir sobre o sucesso do evento. Nomes de peso que fizeram o fã da música pesada sair de casa, enfrentar fila, pagar caro - tanto o ingresso como a comida - e passar por uma revista estressante na entrada. Mas o lado crítico não só fala como também grita dentro de mim, e preciso exteriorizar de uma maneira que não quero passar por conservador, coxinha, rabugento ou quaisquer desses adjetivos, porque na verdade não é, e nunca se aplicará nesse texto. É apenas a visão de um fã VERDADEIRAMENTE de metal, da boa música pesada.
Infelizmente não deu para chegar no horário do show das bandas De La Tierra, Black Velvet Brides, Coal Chambers, Rival Sons, Primal Fear no sábado, e Dr. Phoebes e Steel Panther no domingo.

MOTÖRHEAD
Devido a uma fila enorme e falta de organização, consegui chegar em cima da hora para o show do Motorhead, e lá dentro pra minha surpresa não haveria a apresentação dessa verdadeira instituição do Rock, devido a estado de saúde do grande Lemmy Kilmister, mas mesmo assim Mikkey D. (bateria) e Phil Campbell (guitarra) se uniram a Andreas Kisser, Paulo Xisto e Derrick Green para uma jam com três músicas apenas numa homenagem a Lemmy.


JUDAS PRIEST
Considero o Judas Priest, a maior banda de heavy metal do planeta. Todos os elementos estão lá. Couro, rebites, riffs e mais riffs moldados em 45 anos de carreira. O show nem precisa dizer que foi impecável, apesar de que a apresentação deles no domingo foi superior em relação ao sábado. Mas a diferença foi muito pouca. Pudemos ver um Rob Halford soltando com uma potência enorme seus agudos, que chegavam a rasgar o tímpano de tão mortíferos que saiam daquela garganta, e ainda nas músicas mais recentes arriscou uns guturais muito bons, diga-se de passagem e mostrando um lado death metal do Metal God. E o que dizer de seus asseclas? Scott Travis... como toca bateria! Que desenvoltura! Parece que o instrumento é parte do corpo dele. Ian Hill, uma verdadeira coluna de ferro. Incólume com seu baixo. Richie Faulkner, que substituiu o monstro K.K. Downing, toca com fidelidade e respeito, e por fim Glenn Tipton. Seus riffs até hoje me fazem banguear, e na minha mais humilde opinião, depois de Tony Iommi, Tipton é o maior guitarrista do heavy metal no planeta. The Priest is back!


OZZY OSBOURNE
Muitos já foram pra outra dimensão, e o Mr. Madman continua a todo vapor. E que carisma! Um show maravilhoso em que vimos um Ozzy cantando bem e se divertindo mais ainda numa vitalidade invejável. E a alegria estava estampada na cara com suas chamadas para que todos enlouquecessem junto com ele... o que não foi nada difícil. Sua banda também estava afiada. Tommy Clufetos é um cavalo na bateria descendo o braço sem dó mesmo, enquanto que Gus G. vai se tornando mais um talento a figurar entre os melhores guitarristas que tocaram com Ozzy. Que peso estava o som da guitarra dele! 
Foi um set de certa forma previsível, mas ver Ozzy esbanjando saúde com uma banda fenomenal e o som perfeito, endossam mais ainda que o reinado do Mr. Madman perdurará por anos.


YNGWIE MALMSTEEN
Bom, um dos deuses supremos da guitarra se apresentou no domingo, e mesmo sabendo o que estava por vir - solos e mais solos - tive uma certa esperança que o show me surpreendesse. Malmsteen é um dos caras que admiro muito, e que revolucionou a guitarra ao colocar elementos clássicos nela, e detalhe... com maestria ímpar. Mas é melancólico vê-lo soterrado por uma qualidade de som no mínimo horrível. Ao invés de priorizar as músicas mais conhecidas, o grande guitarrista se preocupou em tocar temas mais recentes - talvez duas ou três seriam ideais, mas sucessos como Rising Force, Seventh Sign e Heaven Tonight são muito poucos para um músico excepcional e de uma carreira invejável. Enfim, daria até para curtir numa boa, mas a qualidade péssima do som e a escolha do set impediram que a banda mostrasse todo o seu potencial, fazendo o show do sueco ficar maçante. E pra lacrar de vez, Malmsteen ainda destrói uma guitarra no palco. Talvez poderia ser muito "cool" há anos atrás, mas hoje esse tipo de coisa me incomoda muito. Porque ele não faz isso com uma de suas Ferraris?


UNISONIC
Confesso que não conhecia nada do Unisonic, sei que faziam parte Michael Kiske e Kai Hansen, e que nos shows eles tocavam músicas do Helloween, apenas isso, mas quando os alemães começaram seu set, a coisa mudou de figura. O som estava nítido, e dava pra ouvir tudo. A maioria das músicas são candeciadas, mas não deixam de ser ruins. Agora, ver e ouvir Michael Kiske cantando é uma dádiva. Seus agudos têm um timbre único e as notas saíam perfeitamente. E, de quebra, tínhamos Kai Hansen na guitarra e nos backings. Era como ter o Pelé em campo e Zico no banco. Daí, não dá pra perder... mesmo! Os demais integrantes também fizeram bonito e quando a banda tocou as músicas do Helloween, a coisa explodiu. Pela primeira vez tive a oportunidade de ouvir e ver o vocal original cantando e posso dizer que a emoção foi grande. Gol da Alemanha!



ACCEPT
Accept era uma das bandas que eu mais aguardava - a outra era o Manowar. Sabia que seria um grande show, mas foi muito mais que isso. Eles simplesmente fizeram jus à imagem da capa de seu mais recente álbum, um touro bufando furiosamente pelas narinas e vindo com tudo pra cima. Os alemães vinham de duas baixas com as saídas de Stefan Schwarzmann e Herman Frank - bateria e guitarra respectivamente - porém a banda não deixou por menos, e prontamente chamou Christopher Williams para substituir Schwarzmann e o fenomenal guitarrista Uwe Lulis, que por muitos anos foi o homem das seis cordas na melhor fase do Grave Digger, para substitur Frank como parceiro do mestre Wolf Hoffman. Mais uma vez, o som estava perfeito, e a performance também. O vocalista Mark Tormillo se agigantou no microfone e cantou muito. Seu vocal rasgado meio bluesy parecia um elo perdido entre Brian Johnson e Bon Scott e encaixou perfeitamente no Accept até mesmo nos clássicos eternizados por outro monstro da voz, Udo Dirkschneider. Músicas novas foram intercaladas com sons mais antigos com perfeição fazendo toda a Arena Anhembi cantar e se encantar com cada música da banda. Ainda estou com o côro da Stalingrad ecoando na minha cabeça, e posso afirmar com toda a certeza, quem não conhecia a banda teve uma grata surpresa nesse Monsters of Rock. Aliás, enquanto você lia esse texto foi outro gol da Alemanha! (Risos)


MANOWAR
Sou fã do Manowar, desde a primeira vez que ouvi Battle Hymns e Metal Daze. Tenho Eric Adams como referência pela dramaticidade e competência em cima do palco, e meu sonho era ver um show dos deuses do metal épico sem interrupções, apenas música. E eles foram mais além pois o que vi foi um show poderoso e competente. Infelizmente tem pessoas que ainda imaginam que os caras usam tangas de couro em suas apresentações, obviamente pra tirar um sarro. Mas só quem sabe o que a música dos caras representa, é que pode sentir o sentimento que carregamos em relação ao puro Metal. No show do Manowar tivemos:
1. Uma intro de arrepiar que fez o pessoal da área dos deficientes físicos se levantar e saudar a banda.
2. Eric Adams cantando muito!
3. Uma homenagem no telão aos saudosos Dio e Scott Columbus que fez muito marmanjo - e eu me enquadro - ficar com os olhos marejados.
4. Um setlist maravilhoso.
5. Sem encheção de linguiça com o lance de chamar alguém pra tocar com eles.
6. Sem encheção de linguiça com o lance de chamar umas groupies.
7. Joey deMaio fazendo um discurso rápido e em bom português.
Manowar foi impecável! Foi fenomenal! Detonaram! 
O único ponto negativo foi a má equalização do som, fazendo com a guitarra de Karl Logan sumir quase por completo pelo alto volume do baixo, e isso prejudicou um pouco o show, mas não tirou o brilho da apresentação dos deuses do metal épico. 
Foto por Ale Frata (Território da Música)

KISS
Bom, Kiss é festa, certo? Então foi isso que rolou o show inteiro. Mesmo com a voz de Paul Stanley falhando, no final das contas o que vale é se divertir no show deles. E, se por um lado não temos os caras nos seus melhores dias, pelo menos temos uma apresentação cheia de surpresas com fogos de artifícios, explosões, Paul voando, Gene cuspindo sangue e voando também, enfim, o Kiss é o grupo que otimizou o sentido da palavra espetáculo, e é dessa forma que novos fãs vão entrando nesse universo. Vi muitas crianças hipnotizadas pelo show do Kiss. E são esses fãs que precisamos pra segurar o rojão lá na frente. 


Agradecimentos muito especiais ao grande fotógrafo Ricardo Ferreira que gentilmente cedeu as fotos do Kiss, Accept, Yngwie Malmsteen, Ozzy Osbourne, Judas Priest, Unisonic e Motörhead Jam