segunda-feira, 8 de setembro de 2014

NINGUÉM PODE MATAR A MORTE - CHUCK SCHULDINER

Bem, nunca fui bom em matemática. Aliás, em qualquer matéria que tivesse cálculo eu sempre tinha dificuldade em resolver os problemas. Conseguia uma nota 5 com muito custo só pra passar na média e olha lá. Mas ontem, foi a primeira vez que fui em uma aula de matemática mais feliz que mosca em tampa de xarope (ditado gaúcho).
O local da aula, ops... do show foi no Via Marquês. Mas era mais que um show, era um tributo a um dos músicos mais geniais da nossa era, Chuck Schuldiner. Nos meus posts anteriores não mencionei o nome dele porque estava esperando esse dia justamente para ver – e ouvir – a obra desse mestre ao vivo, e pude ver no palco o legado desse músico magistral em uma performance perfeita e carregada de emoção, e muita emoção diga-se de passagem.
O Death foi uma das primeiras bandas de death metal que ouvi, e Chuck foi – e ainda é – referência para meus vocais. Leprosy foi o disco que eu escutava em uma velha fita k-7 Basf. Escutava tanto que cheguei a cantar Left To Die no palco. Vieram as maravilhosas obras-primas criando mais complexidade em suas composições, ao mesmo tempo que gerava mais e mais admiração pelo talento de Chuck. Na minha opinião, ele era uma espécie de Frank Zappa do death metal.
E na noite do dia 07 de setembro tive o imenso prazer em testemunhar músicos do mais alto gabarito fazendo uma justa homenagem ao Chuck, nos presenteando com um set-list recheado de clássicos. Me deleitei com as viradas absurdas e precisas de Gene Hoglan na bateria; a habilidade quase sobrenatural de Steve DiGiorgio ao tocar baixo sem trastes – fretless – sendo que um deles tinha apenas 3 cordas, e conseguir tirar timbres gordos e poderosos, e que às vezes Steve fazia me lembrar de outro grande gênio que se foi, Cliff Burton. As guitarras formadas por Bob Koelbe, Steffen Kummerer alternando os vocais com Max Phelps que tocava e cantava com exímia habilidade e com o mesmo timbre de voz do mestre Schuldiner, mostravam claramente a complexidade e a beleza das composições de Chuck. The Philosopher, Left To Die, Pull The Plug, Symbolic, Lack Of Comprehension, Crystal Mountain, enfim; afirmo com certeza que Death deveria ser ensino fundamental nas escolas.
O show se encerra. E fica uma pergunta no ar: Será que essa formação poderia dar continuidade ao legado do Death? Sinceramente não. Porque o Death sem o Chuck, não é Death. Mas é mais do que justo um tributo como esse, que leva a obra desse genial artista a lugares onde ele não conseguiu ir, e finalizo com uma frase do próprio Chuck: “Ninguém pode matar a Morte”.