terça-feira, 29 de julho de 2014

OS MELHORES SHOWS parte 2

Continuando a série Os Melhores Shows, vou relatar outro que aconteceu nos idos de 1997. Napalm Death no Folclore Musical. A banda estava fazendo a turnê do seu mais recente álbum Inside the Torn Apart, que mesclava a agressividade peculiar do Napalm com certos experimentalismos musicais tais como vocais limpos em algumas músicas.
No dia do show, a concentração dos headbangers já era grande na frente do local e como fazia um certo tempo que não tínhamos os ingleses por aqui desde o ano de 1992 – ocasião que eles dividiram o palco com o Sepultura e o Ratos de Porão – a expectativa era enorme. O local foi enchendo de tal maneira que era quase impossível se mover. Com gritos mais e mais fortes de “Napalm Death! Napalm Death!” Barney Greenway (vocal), Mitch Harris e Jesse Pintado (guitarras), Shane Embury (baixo), e Danny Herrera (bateria) adentram o palco. Comoção generalizada! Sem música, sem nada, mesmo assim fui levado para frente e para trás numa onda humana que já antevia o caos e o estrago que aquilo ali iria dar. Um mar de cabeças por todos os lados, a grande maioria louca e sedenta de ver o show e ouvir a brutalidade sonora dos clássicos sons do Napalm, e a coisa não tardou. Quando Barney deu o primeiro berro e começou a cantar o local veio abaixo. Não consegui ver a primeira música porque estava tentando salvar a minha vida no meio de um dos inúmeros mosh-pits que apareceram instantaneamente. Um turbilhão de gente se digladiando ao som do fim do mundo. Na boa, eu estava realmente no epicentro de um furacão. A força foi tão grande que todos os seguranças subiram no palco, e com olhos esbugalhados de pavor ficavam vendo os bangers numa furiosa dança de possuídos pelo tinhoso. Até mesmo o próprio Barney estava visivelmente preocupado com o caos que aquele local se tornou, e logo em seguida a banda sai de cena. Nesse momento, os seguranças todos em cima do palco faziam uma corrente humana e foi nesse momento que Alexandre do Krisiun entra, pega o microfone e de certa forma acalma um pouco os presentes. Isso pelo menos me deu tempo para achar um local que dava para apreciar melhor o show, e quando o Napalm retorna... o caos vem em seguida novamente, mas mesmo olhando os bangers se acabando, não houve nenhum problema grave. Lá pelas tantas um clarão surge no meio do público. Era um segurança passando no meio dos headbangers segurando uma das barricadas com medo de ser atingido, mas pensem bem... por que alguém vai querer passar justamente no meio dos bangers naquele momento? E o show foi transcorrendo até o final numa energia impressionante com rodas acontecendo a qualquer momento com um dos pontos mais altos quando tocaram Suffer the Children. Enfim, o saldo desse show só fui saber no dia seguinte. Corpo dolorido, ouvido zunindo até umas horas, mas com um sorriso de satisfação por ter sobrevivido a um dos shows mais insanos que já participei.